sábado, 21 de junho de 2008
Campo Mourão
http://www.mp3tube.net/musics/marcelo-manzano-composicao-Daniel-Silveira-e-Diniz-Junior-Campo-Mourao/175681/
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Yes, Zé Manés
Composição: Guinga/Aldir Blanc
A atmosfera
zera a geografia: eu ouço na Bahia sons
de Georgia on my mind,
Miles na Baixada,
bailes e a subida/ do Pão de Açúcar,
duca a loura num hi-fi.
Oh, someday you'll come,
moonlight, haikai,
ali no angu do Gomes,
cara tara,
wickbold noves,
pringle pop engovs,
Mistmust o amor dos pobres:
tô correndo atrás de uns cobres pra comprar
presente pra você, my love,
Contigo eu sei que sou,
I know, my soul,
Romário em frente ao gol,
sem vintém,
be my guest, moroless,
igual a Porgy and Bess.
Composição: Guinga/Aldir Blanc
A atmosfera
zera a geografia: eu ouço na Bahia sons
de Georgia on my mind,
Miles na Baixada,
bailes e a subida/ do Pão de Açúcar,
duca a loura num hi-fi.
Oh, someday you'll come,
moonlight, haikai,
ali no angu do Gomes,
cara tara,
wickbold noves,
pringle pop engovs,
Mistmust o amor dos pobres:
tô correndo atrás de uns cobres pra comprar
presente pra você, my love,
Contigo eu sei que sou,
I know, my soul,
Romário em frente ao gol,
sem vintém,
be my guest, moroless,
igual a Porgy and Bess.
domingo, 15 de junho de 2008
Antonio Fernando de Franceschi
Arlequina
te cubro
déguisé
insubmissa
refração
em meandros
te finjo
e perco
de repente
te cubro
déguisé
insubmissa
refração
em meandros
te finjo
e perco
de repente
Francis Ponge
A OSTRA
A ostra, do tamanho de um seixo mediano, tem uma aparência mais rugosa, uma cor menos uniforme, brilhantemente esbranquiçada. É um mundo recalcitrantemente fechado. Entretanto, pode-se abri-lo: é preciso então agarrá-la com um pano de prato, usar de uma faca pouco cortante, denteada, fazer várias tentativas. Os dedos curiosos ficam trinchados, as unhas se quebram: é um trabalho grosseiro. Os golpes que lhe são desferidos marcam de círculos brancos seu invólucro, como halos.
No interior encontra-se todo um mundo, de comer e de beber: sob um "firmamento" (propriamente falando) de madrepérola, os céus de cima se encurvam sobre os céus de baixo, para formar nada mais que um charco, um sachê viscoso e verdejante, que flui e reflui para a vista e o olfato, com franjas de renda negra nas bordas.
Por vezes mui raro uma fórmula peroliza em sua goela nácar, e alguém encontra logo com que se adornar.
(Trad: Ignácio Antonio Neis e Michel Peterson)
A ostra, do tamanho de um seixo mediano, tem uma aparência mais rugosa, uma cor menos uniforme, brilhantemente esbranquiçada. É um mundo recalcitrantemente fechado. Entretanto, pode-se abri-lo: é preciso então agarrá-la com um pano de prato, usar de uma faca pouco cortante, denteada, fazer várias tentativas. Os dedos curiosos ficam trinchados, as unhas se quebram: é um trabalho grosseiro. Os golpes que lhe são desferidos marcam de círculos brancos seu invólucro, como halos.
No interior encontra-se todo um mundo, de comer e de beber: sob um "firmamento" (propriamente falando) de madrepérola, os céus de cima se encurvam sobre os céus de baixo, para formar nada mais que um charco, um sachê viscoso e verdejante, que flui e reflui para a vista e o olfato, com franjas de renda negra nas bordas.
Por vezes mui raro uma fórmula peroliza em sua goela nácar, e alguém encontra logo com que se adornar.
(Trad: Ignácio Antonio Neis e Michel Peterson)
Vladímir Maiakóvski
BLUSA FÁTUA
Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde de as minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!
(tradução: Augusto de Campos)
Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde de as minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!
(tradução: Augusto de Campos)
Vladímir Maiakóvski
A SIERGUÉI IESSIÊNIN
Você partiu,
como se diz,
para o outro mundo.
Vácuo. . .
Você sobe,
entremeado às estrelas.
Nem álcool,
nem moedas.
Sóbrio.
Vôo sem fundo.
Não, lessiênin,
não posso
fazer troça, -
Na boca
uma lasca amarga
não a mofa.
Olho -
sangue nas mãos frouxas,
você sacode
o invólucro
dos ossos.
Sim,
se você tivesse
um patrono no "Posto" -
ganharia
um conteúdo
bem diverso:
todo dia
uma quota
de cem versos,
longos
e lerdos,
como Dorônin.
Remédio?
Para mim,
despautério:
mais cedo ainda
você estaria nessa corda.
Melhor
morrer de vodca
que de tédio !
Não revelam
as razões
desse impulso
nem o nó,
nem a navalha aberta.
Pare,
basta !
Você perdeu o senso? -
Deixar
que a cal
mortal
Ihe cubra o rosto?
Você,
com todo esse talento
para o impossível;
hábil
como poucos.
Por quê?
Para quê?
Perplexidade.
- É o vinho!
- a crítica esbraveja.
Tese:
refratário à sociedade.
Corolário:
muito vinho e cerveja.
Sim,
se você trocasse
a boêmia
pela classe;
A classe agiria em você,
e Ihe daria um norte.
E a classe
por acaso
mata a sede com xarope?
Ela sabe beber -
nada tem de abstêmia.
Talvez,
se houvesse tinta
no "Inglaterra";
você
não cortaria
os pulsos.
Os plagiários felizes
pedem: bis!
Já todo
um pelotão
em auto-execução.
Para que
aumentar
o rol de suicidas?
Antes
aumentar
a produção de tinta!
Agora
para sempre
tua boca
está cerrada.
Difícil
e inútil
excogitar enigmas.
O povo,
o inventa-línguas,
perdeu
o canoro
contramestre de noitadas.
E levam
versos velhos
ao velório,
sucata
de extintas exéquias.
Rimas gastas
empalam
os despojos, -
é assim
que se honra
um poeta?
-Não
te ergueram ainda um monumento -
onde
o som do bronze
ou o grave granito? -
E já vão
empilhando
no jazigo
dedicatórias e ex-votos:
excremento.
Teu nome
escorrido no muco,
teus versos,
Sóbinov os babuja,
voz quérula
sob bétulas murchas -
"Nem palavra, amigo,
nem so-o-luço".
Ah,
que eu saberia dar um fim
a esse
Leonid Loengrim!(5)
Saltaria
- escândalo estridente:
- Chega
de tremores de voz!
Assobios
nos ouvidos
dessa gente,
ao diabo
com suas mães e avós!
Para que toda
essa corja explodisse
inflando
os escuros
redingotes,
e Kógan(6)
atropelado
fugisse,
espetando
os transeuntes
nos bigodes.
Por enquanto
há escória
de sobra.
0 tempo é escasso -
mãos à obra.
Primeiro
é preciso
transformar a vida,
para cantá-la -
em seguida.
Os tempos estão duros
para o artista:
Mas,
dizei-me,
anêmicos e anões,
os grandes,
onde,
em que ocasião,
escolheram
uma estrada
batida?
General
da força humana
- Verbo -
marche!
Que o tempo
cuspa balas
para trás,
e o vento
no passado
só desfaça
um maço de cabelos.
Para o júbilo
o planeta
está imaturo.
É preciso
arrancar alegria
ao futuro.
Nesta vida
morrer não é difícil.
O difícil
é a vida e seu ofício.
(Tradução de Haroldo de Campos)
Você partiu,
como se diz,
para o outro mundo.
Vácuo. . .
Você sobe,
entremeado às estrelas.
Nem álcool,
nem moedas.
Sóbrio.
Vôo sem fundo.
Não, lessiênin,
não posso
fazer troça, -
Na boca
uma lasca amarga
não a mofa.
Olho -
sangue nas mãos frouxas,
você sacode
o invólucro
dos ossos.
Sim,
se você tivesse
um patrono no "Posto" -
ganharia
um conteúdo
bem diverso:
todo dia
uma quota
de cem versos,
longos
e lerdos,
como Dorônin.
Remédio?
Para mim,
despautério:
mais cedo ainda
você estaria nessa corda.
Melhor
morrer de vodca
que de tédio !
Não revelam
as razões
desse impulso
nem o nó,
nem a navalha aberta.
Pare,
basta !
Você perdeu o senso? -
Deixar
que a cal
mortal
Ihe cubra o rosto?
Você,
com todo esse talento
para o impossível;
hábil
como poucos.
Por quê?
Para quê?
Perplexidade.
- É o vinho!
- a crítica esbraveja.
Tese:
refratário à sociedade.
Corolário:
muito vinho e cerveja.
Sim,
se você trocasse
a boêmia
pela classe;
A classe agiria em você,
e Ihe daria um norte.
E a classe
por acaso
mata a sede com xarope?
Ela sabe beber -
nada tem de abstêmia.
Talvez,
se houvesse tinta
no "Inglaterra";
você
não cortaria
os pulsos.
Os plagiários felizes
pedem: bis!
Já todo
um pelotão
em auto-execução.
Para que
aumentar
o rol de suicidas?
Antes
aumentar
a produção de tinta!
Agora
para sempre
tua boca
está cerrada.
Difícil
e inútil
excogitar enigmas.
O povo,
o inventa-línguas,
perdeu
o canoro
contramestre de noitadas.
E levam
versos velhos
ao velório,
sucata
de extintas exéquias.
Rimas gastas
empalam
os despojos, -
é assim
que se honra
um poeta?
-Não
te ergueram ainda um monumento -
onde
o som do bronze
ou o grave granito? -
E já vão
empilhando
no jazigo
dedicatórias e ex-votos:
excremento.
Teu nome
escorrido no muco,
teus versos,
Sóbinov os babuja,
voz quérula
sob bétulas murchas -
"Nem palavra, amigo,
nem so-o-luço".
Ah,
que eu saberia dar um fim
a esse
Leonid Loengrim!(5)
Saltaria
- escândalo estridente:
- Chega
de tremores de voz!
Assobios
nos ouvidos
dessa gente,
ao diabo
com suas mães e avós!
Para que toda
essa corja explodisse
inflando
os escuros
redingotes,
e Kógan(6)
atropelado
fugisse,
espetando
os transeuntes
nos bigodes.
Por enquanto
há escória
de sobra.
0 tempo é escasso -
mãos à obra.
Primeiro
é preciso
transformar a vida,
para cantá-la -
em seguida.
Os tempos estão duros
para o artista:
Mas,
dizei-me,
anêmicos e anões,
os grandes,
onde,
em que ocasião,
escolheram
uma estrada
batida?
General
da força humana
- Verbo -
marche!
Que o tempo
cuspa balas
para trás,
e o vento
no passado
só desfaça
um maço de cabelos.
Para o júbilo
o planeta
está imaturo.
É preciso
arrancar alegria
ao futuro.
Nesta vida
morrer não é difícil.
O difícil
é a vida e seu ofício.
(Tradução de Haroldo de Campos)
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Vielimir Khlébnikov
ENCANTAÇÃO PELO RISO
Ride, ridentes!
Derride, derridentes!
Risonhai aos risos, rimente risandai!
Derride sorrimente!
Risos sobrerrisos - risadas de sorrideiros risores!
Hílare esrir, risos de sobrerridores riseiros!
Sorrisonhos, risonhos,
Sorride, ridiculai, risando, risantes,
Hilariando, riando,
Ride, ridentes!
Derride, derridentes!
Tradução de Haroldo de Campos
Ride, ridentes!
Derride, derridentes!
Risonhai aos risos, rimente risandai!
Derride sorrimente!
Risos sobrerrisos - risadas de sorrideiros risores!
Hílare esrir, risos de sobrerridores riseiros!
Sorrisonhos, risonhos,
Sorride, ridiculai, risando, risantes,
Hilariando, riando,
Ride, ridentes!
Derride, derridentes!
Tradução de Haroldo de Campos
Vielimir Khlébnikov
Tempos-juncos
Na margem do lago,
Onde as pedras são tempo,
Onde o tempo é de pedra.
No lago da margem,
Tempos, juncos,
Na margem do lago,
Santos, juntos.
1908 ou 1909
Tradução de Augusto de Campos e Bóris Schnaiderman
Na margem do lago,
Onde as pedras são tempo,
Onde o tempo é de pedra.
No lago da margem,
Tempos, juncos,
Na margem do lago,
Santos, juntos.
1908 ou 1909
Tradução de Augusto de Campos e Bóris Schnaiderman
segunda-feira, 9 de junho de 2008
terça-feira, 3 de junho de 2008
quarta-feira, 28 de maio de 2008
ÀS MINHAS COSTAS ( Sérgio Alcides )
As portas do metrô mastigam
o ar condicionado.
Estou em trânsito, com os demais.
Percorremos a rede incorpórea
que há de permanecer.
Não se ultrapassa a linha amarela.
Nada cheira. E a escada rolante
– áspera via – até se alegoriza
ao conduzir-nos de volta ao simulacro
passageiro das avenidas.
Na saída, ponho os óculos escuros.
As portas do metrô mastigam
o ar condicionado.
Estou em trânsito, com os demais.
Percorremos a rede incorpórea
que há de permanecer.
Não se ultrapassa a linha amarela.
Nada cheira. E a escada rolante
– áspera via – até se alegoriza
ao conduzir-nos de volta ao simulacro
passageiro das avenidas.
Na saída, ponho os óculos escuros.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Sinal De Amor E De Perigo
Composição: Patinhas / Capenga
À noite e a cidade parece que some
Perdida no sono dos sonhos dos homens
Que vão construindo com fibras de vidro
Com canções de infância, com tempo perdido
Um grande cartaz um painel de aviso
Um sinal de amor e de perigo
Um sinal de amor e de perigo
Há tempo em que a terra parece que some
Em meio a alegria e tristeza dos homens
Que olham pros campos pros mares cidades
Pras noites vazias, pra felicidade
Com o mesmo olhar de quem grita no escuro
O melhor foi feito no futuro
O melhor foi feito no futuro
Enquanto o amor for pecado eo trabalho um fardo
Pesado passado presente mal dado
As flores feridas se curam no orvalho
Mas os homens sedentos não encontram regato
Que banhe seu corpo e lave sua alma
O desejo é forte mas não salva
O desejo é forte mas não salva
Enquanto a tristeza esmagar o peito da terra
E a saudade afastar as pessoas partindo pra guerra
Nós vamos perdendo um tempo profundo
A força da vida o destino do mundo
O segredo que o rio entrega pra serra
Haverá um homem no céu e deuses na terra
Haverá um homem no céu e deuses na terra
Haverá um homem no céu e deuses na terra
Composição: Patinhas / Capenga
À noite e a cidade parece que some
Perdida no sono dos sonhos dos homens
Que vão construindo com fibras de vidro
Com canções de infância, com tempo perdido
Um grande cartaz um painel de aviso
Um sinal de amor e de perigo
Um sinal de amor e de perigo
Há tempo em que a terra parece que some
Em meio a alegria e tristeza dos homens
Que olham pros campos pros mares cidades
Pras noites vazias, pra felicidade
Com o mesmo olhar de quem grita no escuro
O melhor foi feito no futuro
O melhor foi feito no futuro
Enquanto o amor for pecado eo trabalho um fardo
Pesado passado presente mal dado
As flores feridas se curam no orvalho
Mas os homens sedentos não encontram regato
Que banhe seu corpo e lave sua alma
O desejo é forte mas não salva
O desejo é forte mas não salva
Enquanto a tristeza esmagar o peito da terra
E a saudade afastar as pessoas partindo pra guerra
Nós vamos perdendo um tempo profundo
A força da vida o destino do mundo
O segredo que o rio entrega pra serra
Haverá um homem no céu e deuses na terra
Haverá um homem no céu e deuses na terra
Haverá um homem no céu e deuses na terra
segunda-feira, 12 de maio de 2008
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Espaços Cromáticos
Caminhava entre as conchas do esquecimento . A cada onda que pulava , ficava mais confuso . A cidade que conhecera não existia mais , havia sido tragada por algum inexplicável acontecimento . Estranhamente observava que um prédio da orla continuava no mesmo lugar ; o edifício verde-mar e seus amplos espaços modernistas . Percebia que a areia ficava cada dia mais cítrica . O fenômeno acontecia devido aos reflexos solares de variações intensas . No caminho do antigo Aquário Municipal notara que os desenhos das calçadas haviam sido trocados , em vez das tradicionais representações de ondas , viam-se exóticos ideogramas . Lembrava de uma estátua em homenagem ao imigrante japonês , mesmo assim não entendeu o motivo da troca . Quando adolescente havia entrado no Verde-mar algumas vezes . Corredores labirínticos , a estranha localização dos elevadores , parecia uma representação de algum espaço submerso . A água do mar , vitral repleto de tonalidades suaves , os vazamentos de óleo não voltaram a ocorrer . As adolescentes cantavam árias cromáticas espalhadas pelos ventos de verão . Avistavam-se navios , o horizonte traçava uma linha paralela . Ela não está mais lá , com seus cílios árabes . Os dias mudaram , o carnaval no Clube Sírio pertence a outras gerações, que cantam músicas diferentes , não sabem que existiam conchas nas divisórias da areia.
Diniz Antônio Gonçalves Júnior
Caminhava entre as conchas do esquecimento . A cada onda que pulava , ficava mais confuso . A cidade que conhecera não existia mais , havia sido tragada por algum inexplicável acontecimento . Estranhamente observava que um prédio da orla continuava no mesmo lugar ; o edifício verde-mar e seus amplos espaços modernistas . Percebia que a areia ficava cada dia mais cítrica . O fenômeno acontecia devido aos reflexos solares de variações intensas . No caminho do antigo Aquário Municipal notara que os desenhos das calçadas haviam sido trocados , em vez das tradicionais representações de ondas , viam-se exóticos ideogramas . Lembrava de uma estátua em homenagem ao imigrante japonês , mesmo assim não entendeu o motivo da troca . Quando adolescente havia entrado no Verde-mar algumas vezes . Corredores labirínticos , a estranha localização dos elevadores , parecia uma representação de algum espaço submerso . A água do mar , vitral repleto de tonalidades suaves , os vazamentos de óleo não voltaram a ocorrer . As adolescentes cantavam árias cromáticas espalhadas pelos ventos de verão . Avistavam-se navios , o horizonte traçava uma linha paralela . Ela não está mais lá , com seus cílios árabes . Os dias mudaram , o carnaval no Clube Sírio pertence a outras gerações, que cantam músicas diferentes , não sabem que existiam conchas nas divisórias da areia.
Diniz Antônio Gonçalves Júnior
terça-feira, 15 de abril de 2008
domingo, 30 de março de 2008
Estate
Composição: Bruno Brighetti/Bruno Martino
i baci che ho perduto
Sei piena de un´amore che è passato
E il cuore mio vorrebbe cancelare
Estate
Il sole che ogni giorno ci scaldava
Che splendidi tramonti dipingeva
Adesso brucia solo com furor
Tornerà un altro inverno
Cadrano mille petali di rose
La neve coprirá tutte le cose
E forse, un pò di pace tornerà
Estate
Che ha datto il suo profumo ad ogni fiore
L´estate che ha creato il nostro amore
Per farmi poi, morire di dolore
Composição: Bruno Brighetti/Bruno Martino
i baci che ho perduto
Sei piena de un´amore che è passato
E il cuore mio vorrebbe cancelare
Estate
Il sole che ogni giorno ci scaldava
Che splendidi tramonti dipingeva
Adesso brucia solo com furor
Tornerà un altro inverno
Cadrano mille petali di rose
La neve coprirá tutte le cose
E forse, un pò di pace tornerà
Estate
Che ha datto il suo profumo ad ogni fiore
L´estate che ha creato il nostro amore
Per farmi poi, morire di dolore
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Curso “Caetano Veloso, poeta”
Dias 5, 12, 19, 26 de março e 2, 9, 16, 26, 30 de abril de 2008.
Preço - R$10,00
Inscrições na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Av. Paulista, 37 - Bela Vista - São Paulo
Fone: 11 3285-6986/ 3288-9447
Funcionamento: Aberta de terça a domingo, das 11h às 21h.
Dias 5, 12, 19, 26 de março e 2, 9, 16, 26, 30 de abril de 2008.
Preço - R$10,00
Inscrições na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Av. Paulista, 37 - Bela Vista - São Paulo
Fone: 11 3285-6986/ 3288-9447
Funcionamento: Aberta de terça a domingo, das 11h às 21h.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
MÁSCARA ( Dante Milano )
Passa o tempo da face
E o prazer de mostrá-la.
Vem o tempo do só,
A rua do desgosto,
O trilho interminável
Numa estrada sem casas.
O final do espetáculo,
A sala abandonada,
O palco desmantelado.
Do que foi uma face
Resta apenas a máscara,
O retrato, a verônica,
O fantasma do espelho,
O espantalho barbeado,
A face deslavada,
Mais sulcada, mais suja,
De beijada, cuspida,
Amarrotada
Como um jornal velho.
Máscara desbotada
De carnavais passados.
Esta é a nossa cara
Escaveirada.
Até que a terra
Com sua garra
Nos rasgue a máscara.
Passa o tempo da face
E o prazer de mostrá-la.
Vem o tempo do só,
A rua do desgosto,
O trilho interminável
Numa estrada sem casas.
O final do espetáculo,
A sala abandonada,
O palco desmantelado.
Do que foi uma face
Resta apenas a máscara,
O retrato, a verônica,
O fantasma do espelho,
O espantalho barbeado,
A face deslavada,
Mais sulcada, mais suja,
De beijada, cuspida,
Amarrotada
Como um jornal velho.
Máscara desbotada
De carnavais passados.
Esta é a nossa cara
Escaveirada.
Até que a terra
Com sua garra
Nos rasgue a máscara.
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